sábado, 7 de janeiro de 2012

Casa das Rosas

Na hora do toró achei que minha noite tava perdida. Enganei-me. Acostumada com Fortaleza, onde o clima chega e fica, não achava que São Paulo seria tão caprichosa. Cerca de 40 minutos depois o céu estava claro e as nuvens passeavam serelepes no céu.

Lá fui eu pra estação Ana Rosa e já dei bandeira de matutagem. "O bilhete da linha 2 é o mesmo da linha1?" "Éam" "Ah... me dê dois". Como pesquisei no mapa sabia que a Casa das Rosas era bem no comecinho da Av. Paulista. Então, quando saí da estação do metrô e não vi o fim da Paulista percebi que ia para o lado errado. Meia volta no calcanhar e rumo ao destino certo dessa vez.
Cheguei e me perguntaram se eu ia declamar alguma poesia "Só se puder desistir na última hora". Não desisti. Foram 38 pessoas e eu fui a número 4. Peguei o microfone e disse:

"Olá, meu nome é Amélia e eu sou de Fortaleza.
Escrevi essa poesia há algum tempo para o vocalista de uma das banda que mais gosto.
Essa banda saiu do meio do mato e hoje ganha o Brasil. E inspirada pelo gesto deles de não desistir dos sonhos saí de Fortaleza e vim pra cá estudar durante um mês. Deixei marido, cachorra, amigos e família. Vim, eu, parar de sonhar e viver".

Eis a poesia:

Fabiano

Malabarista de encantos
palhaço sem futuro promissor
como advogado
quero dizer
ou qualquer outras dessas burguesidades
adquiridas à força na infância

Amante barroco
do romantismo descarado
rasgado
desgarrado
a lá Florbela
cuja pena, aliás
está depois de sete chaves
adormecida em de vez em quandos

Sorriso de vinho
mãos de carinho
olhos de pintor
alma carregada
e pisoteada
de poeta

É artista de quem vê
Musa de quem faz
tradutor de sonhos vários
nas simples palavras que me ousas

E a alegre ternura desta
timidamente se exibe nestas
dedicadas a ti.


Resumindo as apresentações da noite:

Maysa
O rapper
A pneumática
A Miss porque-você-não-quis-me-comer
O tio boa praça
O interrompista/Se amostroso que quando resolveu declamar virou o Mister Tenso
O cara que não fez sentido
A dupla viola minha viola
O preto estiloso
Os velhoetas
A 7.2 na escala Richter
Os misters Teatro Mágico
A Soprano
Miss Pornô ("nos meus lábios seu delírio fálico" isso pra mim é cat)
Mister Eminem com bengala
Os Esquecíveis


Mas eis que no segundo tempo aparece um senhor com uma violinha debaixo do braço e diz:
"Quando eu tava vindo pra cá senti uma dor na mão e perdi alguns movimentos. Não vou poder tocr a música que eu queria, então vou tocar outra que requer menos dos meus movimentos"
E tocou uma música linda. Só instrumental, mas poesia pura. Uma mistura de Bach com Jimmy Page.

E eu pensando que era a melhor parte da noite... tsc tsc tsc
Essa dupla então sobre ao palco:





















Rose campos e Carlos Mahlungo.

Comentando fatos recentes que demonstraram vários tipos de preconceito, eles cantaram a música Borboletar (de: Carlos Mahlungo e Julio Cesar da Costa) e eu genuinamente me emocionei. Abracei Rose com lágrimas nos olhos e agradeci aos dois. Meu segundo dia em São Paulo já valeu a pena.


Navegar é preciso!

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