Vou começar avisando pra minha que to viva: Mãe, to viva.
A bichinha é meio paranóica. Eu disse que ia passar um mês em São Paulo e ela entendeu Gomorra.
Nesses últimos dias não fiz nada de mais interessante. Afinal de contas vim pra cá pra estudar. Então acordo com tempo suficiente pra almoçar, e fico das 14h até as 22 no curso. Chego no hostel só o bagaço e durmo.
Semana passada fomos em dois lugares: um bar e um restaurante. O Barbirô fica pertinho do hostel e vamos a pé. O restaurante eu já esqueci o nome e nem era essas coisas todas. Somente que tinha 2 garçons nordestinos, um do Recife e um de Jericoacoara. Ganhamos 2 cervejas porque eu reconheci os sotaques e disse que era de Fortaleza. Nós somos uma gangue, rapá!
Voltamos no Barbirô essa semana, mas só as gatas dessa vez. E tenho quase certeza que o Chorão do Charlie Brow Jr. tava lá. Sentou lá no fundão e não deu pra ver a cara direito, tirei uma foto péssima e é isso.
O paulistano é bem diferente dos fortalezenses. Na minha primeira semana aqui peguei um metrô e um senhor meio que ficou entalado na porta. Mas o trem não sai se as portas tiverem empacadas. O homem ficou segurando porque duas pessoas quase ficavam de fora. Os cearenses na hora ririam da situação porque os outros dois tentavam passar pelos espaços livres entre o homem que segurava a porta e a porta. Era cômico. E eu como cearense sei disso, tanto que ri. Sozinha, mas ri. Os paulistanos estavam todos sérios. Ninguém achou a situação engraçada. Um rapaz até reclamou porque “um trem que atrasa, atrasa todos os outros”. Paulistano meio Caxias esse, né? É.
Dois, os paulistanos não parecem ter idéia do poder da cidade onde moram. Exemplo 1: Estávamos todos no hostel, era noite e estávamos com fome. A primeira idéia que vem? Pedir pizza. Sério? Aqui tem restaurante do mundo inteiro e querem pedir pizza? O grupo que estava com fome tinha gente de Fortaleza, da Bahia, de Porto Alegre, de São Luís e o máximo que podem fazer pra nos surpreender é pedir pizza? Poderíamos escolher um restaurante grego, árabe, japonês, chinês, tailandês, russo, mexicano, indiano. Pizza? “Ah, é que esses lugares não entregam.” Lembrei do todas as vezes que minha mãe se deparou com essa situação: Não to no Sabueiro!
Exemplo 2: Na noite seguinte a fome bateu e dessa vez decidimos sair. Então pedimos um táxi. Mas como tava chovendo não tinha nenhum no ponto. E eles simplesmente ficaram ali com cara de bocó esperando algum táxi chegar no ponto. Oi? Só tem uma empresa de táxi que atende esse bairro? Sério? Vocês sabiam que estão em São Paulo? Aparentemente eles não sabem disso...
Navegar é preciso!
Até na própria cidade...

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